queimalingua

Lá vem o “felizes para sempre”

10, Março, 2009 · 1 Comentário

“Pesquisas revelam como as comédias românticas influenciam as mulheres a ter falsas expectativas sobre a vida real” (Revista IstoÉ)

http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2052/artigo127743-1.htm

Finalmente resolveram pesquisar (e denunciar divulgar) o efeito das comédias românticas na cabeça (e no coração, ó céus) das mulheres. Deviam incluir na pesquisa também contos de fada e novelas, mas já ta de bom tamanho, tendo em vista que o objetivo era mostrar uma única coisa: as pessoas (mulheres em sua maioria – ou pelo menos são as que levam o estereotipo e assumem a crença) acreditam que coisas do tipo “felizes para sempre”, “alma gêmea” e “amor à primeira vista” acontecem assim ó, de montão, facinho facinho.

Não, não sou uma amargurada-sem-coração que não acredita no amor. Só não acredito que as coisas funcionam como nos filmes, novelas ou contos de fada. Seria bom? Seria (um roteiro um pouco mais original caía bem também). Mas claro, qualquer pessoa em sã consciência com mais de 20 anos, que já viveu um pouquinho que seja alguma paixão (ou se não viveu, viu os amigos viverem) também sabe disso, certo? Errado! O mito engana desde a minha irmãzinha de 9 anos até a minha querida vovozinha de 75.

E qual o problema em sonhar?, diria algum “do contra” da platéia. O problema é que o foco da pessoa é o amor, o príncipe encantado, o romance…E se a pessoa não tem isso na vida, pronto, considera que não tem nada! E quando acha alguém legal (aliás, coitado desse “alguém legal”) deposita neste relacionamento todos os sonhos, vontades, idealizações. Até que um vilão aparece e desmancha o castelinho de areia que a sonhadora construiu e a vida perde o sentido.

Tem gente que volta, renasce, se recupera, se refaz e aprende que amor existe, mas que não é só um: tem vários (e isso não era para ser uma ótima notícia?), pra vida toda se quiser (ok, às vezes demora, pessoal, mas jajá aparece!). Mas não espere tocar “Stars” (Simply Red) quando os olhares se cruzarem nem “All by my self” (Mariah carey, vai, não lembro o cantor original) quando levar o fora, escorregar atrás da porta e esperar que ele volte com flores.

* Minhas referências musicais estão miseráveis

Débora Costa e Silva

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Enquete

20, Fevereiro, 2009 · Deixe um comentário

O que fazer quando o cara que você gostou o ano passado inteiro (e por quem ainda tem algum tipo de sentimento, apesar de não saber nem qualificar nem quantificar esse sentimento), te fala que acha que está vacilando em não assumir a menina com quem ele fica de vez em quando há algum tempo (e que você obviamente odeia), pois eles “se dão mó bem”.

a. Banca a amiga e fala: “Então assume ela, poxa!”

b. Banca a honesta e fala : “A gente também se dá mó bem e você não acha que deu vacilo comigo!”

c. Banca a vilã de novela que finge estar fazendo o bem dizendo: “Mas eu ouvi dizer que ela gosta das coisas assim como estão mesmo!” quando você sabe que a menina está louca para namorar.

d. Banca a idiota que sem reacão olha os restos de comida no prato dele e observa/indaga: “Você não come tomate cereja?”

Acredite se quiser, eu assinalei a “d”.

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About…?

9, Fevereiro, 2009 · Deixe um comentário

Difícil encontrar um assunto no meio de tantos. Um fato que valha a pena recordar e reportar, um livro pra citar, qualquer coisa. Olho ao redor e vejo pilhas de cacarecos, livros, revistas, roupas…some-se à minha usual bagunça o fato de que em breve mudarei de casa e tudo está de pernas para o ar. Vou parar, já estou sendo repetitiva, porque já escrevi sobre isso aqui.

Essa indefinição de assunto é o que tem me deixado mais aflita quando vou escrever para um blog. Tenho tido vontade de lançar observações sobre coisas que não costumo escrever e abominar o que escrevi semana passada. “É normal”, dizem os amigos chatos. Claro, tudo é normal, mas eu não perguntei se isso é caso de internação ou se é “normal”. Me pergunto apenas (e para mim mesma) sobre o quê e como escrever. Até me perguntei se devo continuar tendo blogs por aí, expondo a vida assim…de um jeito nem tão bacana quanto eu gostaria. Mas ok, já me conformei que sinto necessidade de falar, escrever, “pôr pra fora”, “desabafar”…a questão agora é de que forma fazer isso, já que não to satisfeita com a que venho fazendo até então.

Chega a ser bizarro colocar isso num blog que estava em construção, foi interrompido e tem ensaiado uma volta (pelo menos dois sinais de tentativas em 2009). Não, não foi esse o rumo que eu sonhei ou planejei, nem o envolvimento das pessoas (até o meu próprio, confesso).

E agora sentei aqui e vim escrever e pensei que um blog que se pretende dirigir-se às meninas-mulheres por aí tem que ter assuntos universais, situações universais, etc. E essa confusão toda que está minha cabeça, so sorry, não me parece tão interessante para outras pessoas lerem. Mas soaria falso chegar aqui e simplesmente começar falar, falar e falar um monte de coisas como se nada tivesse acontecido. É como se precisasse me apresentar novamente.

E assim como eu, acho que o próprio blog precisa se “apresentar” novamente, digo, precisa se redefinir. E isso eu acho divertido, fazer do projeto o próprio material de “trabalho”. E registrar nele próprio as vontades e anseios…bom, veremos no que vai dar!


Postado por Débora

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Meses antes

6, Fevereiro, 2009 · Deixe um comentário

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Antes de começar a contar sobre a minha viagem a Buenos Aires, vou contar como surgiu a idéia de passar um mês lá estudando espanhol. De alguns anos para cá eu ouvia bastante gente dizer que valia muito a pena ir para a Argentina, pois além de ser um belo país, o câmbio tornava tudo muito barato para nós brasileiros. Assim, no ano passado me deu vontade de ir durante um feriado com a minha família. Comecei a pesquisar preço de passagem e acomodação e vi que realmente estava tudo bem acessível. Acontece que o ano passado foi o ano maldito no qual só teve feriado no primeiro semestre e, entre as preparações para minha festa de formatura, o retorno às aulas de dança e o trabalho, eu acabei deixando de lado os planos da viagem. Depois que a formatura passou, eu achei que já era tarde demais para conseguir fazer a viagem, mas meus pais entraram em cena ajudando nas pesquisas e quando eu menos percebi já estava tudo fechado: iríamos no feriado de 1º de maio. Pedi dois dias a mais no trabalho (um antes e um depois do feriado) e lá fomos nós. Eu fiquei feliz da vida, pois metade dos meus amigos estava indo para a Austrália e eu estava me sentindo estagnada. Todos indo conhecer novos lugares e eu ficando aqui, trabalhando no mesmo lugar, vivendo a mesma vida. Quarta-feira pegamos as malas e “hasta luego, São Paulo!”. Esse foi um dia delicioso. Tomei café da manhã em São Paulo, como todos os dias, mas jantei em Buenos Aires, num clima de cidade Européia, mas com o calor humano dos sul americanos. Chegar em Buenos Aires me trouxe uma sensação que eu nunca vou esquecer. Na hora eu me senti em casa. E essa foi uma sensação que me acompanhou durante toda a viagem…eu sabia que voltaria ali muito em breve e muitas vezes. Sabia que um dia iria morar lá. Voltei deslumbrada e cheia de saudade. Não é que Buenos Aires seja o melhor lugar do mundo, mas é um lugar onde eu me sinto muito a vontade. Pouco depois de voltar, um dos amigos que estava indo para a Austrália me ligou todo triste porque teve que adiar a viagem, pois seu curso começaria depois do que ele havia pensado. Pouco depois ele me liga feliz da vida, dizendo que nesse meio tempo (já que há meses havia deixado de trabalhar por conta da viagem para a Austrália) iria fazer um curso de espanhol na Argentina. Como eu não pensei nisso antes? Que ótima idéia! Nunca tinha tido vontade de aprender espanhol, mas depois que voltei de Buenos estava pensando mesmo a respeito. Mas ele iria em poucas semanas e minhas férias seriam só em janeiro. Melhor…ele iria e poderia me contar como foi e me dar todas as dicas. E assim foi. Ele gostou do curso, mas senti que não se emplogou muito com a cidade. Nenhum problema para mim que já estava enamorada de Buenos Aires. Assim comecei a planejar. Convoquei as amigas que se animaram. Mas aí, como sempre, as coisas esfriaram e mais uma vez pensei em desistir. “Sozinha eu não vou…” disse a canceriana dependente…

Um belo dia estava aqui na agência e toca meu telefone. Era a Bruna, que havia trabalhado aqui comigo e que também fazia Cásper. “Vamos para Buenos Aires então?” Nem acreditei…ela sabia que eu iria (só não sabia que sozinha eu ia desistir) e falou que ia comigo. Já havia até pesquisado preços. Então vamos! No mesmo tempo a Maíra, amiga de infância e também membro deste blog disse que ia junto. Ela havia ido há poucos meses para lá e, como eu, se apaixonou. A Dé quase foi, mas na incerteza do trampo teve que passar, infelizmente. E mais uma vez, quando eu menos perecebi já estávamos fechando as coisas e arrumando as malas para volver. Apresentei a Bruna à Maíra e assim foi. Passagem, apartamento, curso, dólares. O resto os próximos posts trarão. Mas nesse aqui eu quero na verdade agradecer às meninas, pois sem elas eu não teria tido coragem de ir. Queria agradecer por terem acreditado no meu sonho de fazer essa viagem e por terem tomado esse sonho para si próprias. Por terem passado momentos inesquecíveis comigo. Por terem me aconselhado, me ouvido, saído de balada comigo, lavado a louça, feito a comida, emprestado bijoux, ajudado na maquiagem. Por terem feito parte desse mês increivel. Aliás, mais…queria agradecer por simplesmente terem feito tudo isso acontecer, pois sem elas eu não teria sequer ido! A minha melhor lembrança dessa viagem, portanto, é a presença delas lá. O resto foi lucro.

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Melissa Pio

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Primeiro do ano

4, Fevereiro, 2009 · Deixe um comentário

Como assim, eu vou ser a primeira do ano a escrever no blog? Fiquei o mês de janeiro todo fora e quando volto, nem um postzinho para pelo menos espantar as moscas? Mas eu tenho muito sobre o que escrever a respeito deste começo de ano único, especial, inesquecível. Um mês em Buenos Aires fez com que meu ano começasse com o pé direito com certeza. Foi um mês de aprendizado, baladas, aulas de espanhol, beijos, baladas, novos amigos, antigas amigas ainda mais amigas, baladas, homens, baladas, risadas e um pouco mais de baladas. E olha que eu não sou muito de balada. Eu juro que eu vou tentar escrever com calma tudo que aconteceu nessa viagem, mesmo que demore o ano inteiro para ficar pronto. Mas eu posso adiantar que este mês fez com que eu mudasse muito. Sem querer me achar, mas nesse 01/09 eu criei um profundo respeito e admiração por mim mesma. Vi que (mesmo ainda sendo muito canceriana) sou mais independente emocionalmente do que pensava. Vi que sei me virar sozinha. Sei lavar, cozinhar, passar, arrumar a casa e enfrentar um cancelamento de voo (olha a nova regra gramatical) em plena madrugada em outro país. Vi que sou capaz de mudar, mas que não perco minha essência, nem desrespeito meus limites por ninguém. Vi que aprendi a defender minhas vontades com um pouco mais de convicção, mesmo que tenha que pisar um pouco no calo dos outros…coisa que eu sofria por não saber fazer, mesmo que todos fizessem comigo.

Vi que eu cresci e estou me tornando uma adulta daquelas que eu admiro, que eu sempre quis ser. Que não é nem santa nem puta, nem vagabunda nem workaholic, nem grudenta nem desnaturada. Vi que eu não sou nem um pouco perfeita, mas que tenho me tornado a melhor pessoa que eu posso ser. Ou pelo menos eu vejo que cada vez mais eu tenho buscado isso. E vi que a melhor coisa que existe entre a pessoa que eu sou e a pessoa que eu quero ser, é o caminho que eu vou percorrer para chegar até lá.

Melissa Pio

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Querido papai noel.

23, Dezembro, 2008 · Deixe um comentário

Em vários blogs por aí eu tenho visto o pessoal postando a sua cartinha para o Papai Noel, então eu resolvi imitar me inspirar e escrever uma também. Vamos lá!

Querido Papai Noel, antes de mais nada eu espero que você tenha internet e que ache esse blog que ainda está apenas no começo mas que é um projeto pelo qual eu tenho muito carinho. Se quiser, pode até deixar um comentário nesse post pois, das 32 pessoas que passaram pelo meu texto Paixão Nacional, ninguém deu um oizinho, o que me deixou muito carente.

Mas primeiro eu quero agradecer. Por ter minha maravilhosa família e ótimos amigos. Por conhecer pessoas novas e muito especiais e por manter aquelas mais especiais ainda. E por me reaproximar de algumas em específico e de forma definitiva. Também agradeço por ter voltado a dançar e ver como isso me completa e claro, pelo show da Madonna! Sabe, olhando para trás eu não vejo um ano exatamente marcante, mas algumas coisa irão ficar com certeza. Senão do ano, pelo menos a vontade de me esforçar ao máximo para nunca mais terminar outro ano com essa mesma conclusão.

Agora os pedidos:

- Que minha viagem seja uma ótima experiência e que quem fique não sofra muito. Que passe muito rápido para eu não morrer de saudades da família e dos amigos, mas que passe muito devagar para eu aproveitar ao máximo! Não é um pedido lógico, eu sei, mas tenho certeza que o senhor vai descobrir um jeito de fazer dar certo, afinal atender desejos é seu ganha pão. Quem disse que é tudo maravilha na vida profissional?

- Aliás, já que estamos no assunto, eu peço também energias renovadas para voltar a ter prazer em fazer o que eu sei que amo, mas que ultimamente tem parecido mais como uma relação desgastada. Que eu retome essa paixão, onde quer que seja (e de preferência com um salário igual ou melhor.)

- E já que o assunto é amor, bom, aí sim eu preciso da sua ajuda. Por favor que esse ano eu não me apaixone por nenhum amigo que me vê mais como um brother do que como mulher, nem por mais nenhum cara que tenha namorada. Pelo menos nenhum além do atual, que talvez já não tenha volta. E já que não tem volta, eu quero pedir que ele termine com ela e fique comigo. Não me olhe com essa cara, eu nunca disse que meus pedidos seriam todos de boa índole. Mas poxa, depois do meu histórico amoroso assustador, acho que eu tenho crédito para ser um pouco egoísta! Pra te dar uma mãozinho eu me comprometo a passar o ano novo de rosa, ok? E olha, quando eu digo “fique comigo” é no sentido amplo mesmo. Eu tenho paciência, ele nem vai precisar emendar um namoro no outro.

- Outras coisas mais simples que eu quero são conseguir fazer minha pós, aprender de fato espanhol e perder o medo de dirigir.

Por fim quero pedir muita saúde para mim, para minha família e para meus amigos. Mas presta atenção, que esse é um pedido muito importante! Não é só porque está no fim que pode negligenciar hein!

Resumindo eu quero que 2009 seja um ano para ser lembrado! Com muito amor (correspondido viu!), amizade, dimdim e como eu já disse, saúde. Eu me esforço pra ser uma boa menina, então deixa de ser muquirana e cumpra sua parte do combinado!

Melissa Pio

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amores surdos

19, Dezembro, 2008 · Deixe um comentário

Depois de tanto tempo me sentido culpada por uma traição e por um silêncio sepulcral, me coloquei diante desta pessoa que tanto me idolatrou e idolatra ainda para me apaziguar com o passado. Ignorava que o passado que nos atormenta não tem carne nem osso, mas é feito de nuvens sombrias que vivem dentro de nós mesmos. E é com esta sombra que temos o dever de dar um aperto de mão e pedir perdão, não com aquele ser humano X.

Pois fui atrás do ser humano X e foi aí que revi todos os meus conceitos feministas de que os homens não prestam, os homens somem, os homens só querem sexo, os homens não tem sentimento e blablablá. Isso, óbvio, não é uma questão de gênero, mas sim de interesse. Dependendo do grau de interesse de uma pessoa pela outra, aí as atitudes vão perdendo a forma romântica dos contos de fadas e novelas até se esfarelarem em ausência.

Cabe a outra pessoa da história, a mais interessada, no caso, se tocar e ter orgulho e amor próprio para pular fora de uma pseudo-relação em que não há carinho nem intenções de dormir junto, manter contato, compartilhar sonhos, acompanhar num passeio no parque, no cinema, na rua à toa…Não! Sabe, falar não? Sabe, negar uma situação em que é sustentada apenas por uma, mas tem o peso de duas? Sabe, abrir os olhos e ver que a pessoa não te olha da mesma maneira? Sabe, abrir os ouvidos e ouvir ela te dizer que o que acontece é tesão e não paixão? Sabe, aceitar a realidade?Não, não sabe. O ser humano X só sabe sonhar e quer se enganar e fingir que vive sua ilusão. Bons sonhos, então, boa sorte no amanhecer…

Débora Costa e Silva

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Partir para a luta ou bater em retirada?

12, Dezembro, 2008 · Deixe um comentário

Me sinto num daqueles filmes épicos, onde exércitos infidáveis se enfrentam com armas primitivas, até vencer ou perder. Sem meio termo. Mas no meu filme ainda não é hora da batalha. Na verdade cabe a mim decidir se vou a luta pelo seu coração ou se bato em retirada diante da sua hesitação.

As armas que disponho também são primitivas: palavras, gestos, olhares, cartas. A armadura está jogada em cima da cama, os armários de portas abertas, esperando minha decisão. Ainda não sei se levo o escudo ou a lança. Se estou mais para Atenas ou para Cupido. Para proteção ou ação.

Você me dá vontade de lutar, mas longos dias em breve estarão a nos separar. Sou imediatista, você é paciente. Você confia no tempo, eu aposto as fichas no espaço.

Ainda não sei. Não sei se tenho forças de assumir essa batalha, se estou pronta para as consequências que ela pode me trazer. Ainda não entendi o que pensa. Não sei se quer se você estará no campo de batalha caso eu resolva comparecer para a peleja.

Tudo é ainda mais difícil quando antes de mais nada tenho que lutar contra mim mesma.

Melissa Pio

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da importância de um sapato…

12, Dezembro, 2008 · Deixe um comentário

…na vida de uma mulher

salto

Fui descobrir mais sobre essa futilidade, esse vício, este ano, após ver a fissura da Carrie em Sex And The City por sapatos e pensar: mas afinal, pra quê tanto drama? Não é só ter um preto e um branco e ir variando? Bá…há mais coisas entre o céu e a terra do que nossa vã podologia…

Tinha uma sandália (tenho ainda, na verdade, ainda não joguei fora por…enfim) que foi amor à primeira vista (calma, ainda não estou tão fútil, jajá…). Não é porque é a coisa mais bonita, o melhor couro, o melhor preço, a marca mais incrível. Só…confortável. Nem alta, nem baixa, fofinha, apresentável: perfeita.

Usei tanto que o preto começou a ficar azul desbotado, as amarras começaram a desfiar, o elástico esgarçou…foi desgastando mesmo. Nem parecia mais aquela sandália, a que eu achava mais…apresentável.

Bom, hoje olho pra ela e vejo que não era assim tão bonita. Era, claro, perto das rasteirinhas e papetes que eu usava, arrastando por aí a barra da calça, pedregulhos, matinho e outras nojeiras das ruas de São Paulo…era um luxo, de fato. Usar um salto que fosse, três dedos, era muito para mim. Era o cúmulo, na verdade. Não ligava pra essas coisas de aparência, elegância, blá — na real, me sentia alta demais (culpa das amigas e namorados baixinhos!)

Mas voltando à minha querida sandália…usei tanto que um dia ela me sacaneou, me deu uma rasteira (literalmente). Graças ao péssimo estado do calçado, torci meu pé no meio de uma corrida, eu caí e ele quebrou. Fiquei com medo de voltar a usá-la, mas insisti ainda alguns meses. Recentemente, tomei coragem e comprei outra: sete dedos de salto. Na mesma compra, inaugurei o sapato social…de salto idem.

Ando oscilando. Resolvi variar, combinar os acessórios (faz bem às vezes uma pitada de bom senso visual): sapatos e peças de roupa, e cintos, e bolsas, e brincos e ocasiões. Mas o fato de não ter mais um sapato preferido, aquele, o ideal, me faz sentir descalça, desprotegida dos cacos, dos pisos escorregadios, da lama, das poças, do asfalto áspero, dos…ratos. Nenhum deles parece me proteger, me calçar, me aconchegar ou ser belo… E aí é como se estivesse sem eles.

Andar descalço é bacana também, se você sabe onde pisa. Se você tá na praia, num campo, em casa…lindo! Mas sem saber, cansa encarar e vigiar o chão por onde você anda. O olhar vicia nos detalhes e aí você já nem curte o “andar descalço”, que é tão bom. Anula o prazer.

Mas não há de ser nada. Minha sandália nova promete. É bonita, fofinha, me deixa elegante…só assusto e estranho ainda a altura, acho que não mereço. Sabe quando você pensa que é demais pra você? Aí você enrola, usa outras pra não gastar, guarda para ocasiões especiais, fica ali de olho, um flerte. É questão de tempo, costume e coragem pra adotá-la no dia-a-dia…

Débora Costa e Silva

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devolva a pimenta…

7, Dezembro, 2008 · Deixe um comentário

mojito-cocktail

…sirva-me um amor-hortelã!

quero arder
sem queimar
sem chamuscar
quero um sopro

pode até desmanchar
desconfigurar
seria bom, inclusive,
me transformar

deve variar a forma
o recipiente
instrumentos
e ingredientes

só peço que refresque
se ferver, use gelo
se secar, conta gotas
se carbonizar, neve

dispenso o sol
quero encharcar
leve e suave
mergulhar

Débora Costa e Silva

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